Casas flutuantes: em um dos maiores canais de Londres, um estilo de morar está se tornando popular

Nos últimos anos devido aos aluguéis caros, embarcações estão se tornando uma alternativa de habitação

Três mil embarcações são usadas como casas flutuantes na cidade
Foto: FOTOS ANDREW TESTA, THE NEW YORK TIMES
Três mil embarcações são usadas como casas flutuantes na cidade Foto: FOTOS ANDREW TESTA, THE NEW YORK TIMES

No bairro de LittleVenice de Londres, os nomes dos barcos parecem tão coloridos quanto as tintas de sua pintura. O vermelho Mayflower flutua em frente ao Esmeralda verde escuro, não muito longe do Globetrotter azul-marinho, atracado atrás do Hobbit roxo. LittleVenice, onde dois dos maiores canais de Londres se cruzam, pode parecer um bolsão de tranquilidade pitoresca e o belo local de um modo cada vez mais popular de residência na cidade: a casa flutuante.

David Ros, que desde 2006 vive em um barco, enfrenta vários aborrecimentos, incluindo a luta diária com os elementos da natureza e a dura tarefa de esvaziar o tanque de esgoto. Ultimamente, porém, os moradores dos barcos enfrentam um problema novo e bem maior: a aglomeração urbana. Os preços das casas de Londres subiram (a média do aluguel de um apartamento de um quarto chega a US$ 2 mil por mês), e o resultado é que esses barcos (antes apenas um estilo de vida alternativo) se tornaram uma opção cada vez mais procurada de habitação a preços acessíveis.

– Nos últimos dois anos houve uma explosão da procura ? conta o engenheiro de som Ros, 53 anos, que vive sozinho em seu barco.


David Ros prega a preservação deste estilo de vida
Foto: FOTOS ANDREW TESTA, THE NEW YORK TIMES

Há cerca de três mil barcos funcionando como casas em Londres, o dobro de sete anos atrás, de acordo com o Canal and River Trust, que supervisiona as vias navegáveis da Inglaterra e do País de Gales. Pode não parecer muito, mas esse crescimento começa a extrapolar os limites do sistema de apoio dos canais, incluindo o fornecimento de água e a eliminação de resíduos.

Embora a rede de canais de Londres seja uma das mais longas da Europa, os moradores dos barcos dizem que as áreas habitáveis aproximam-se da capacidade total.

Jennifer Jones, membro do PartidoVerde da Casa dos Lordes no Parlamento, faz parte de um grupo local que vem estudando a crescente população dos barcos. Ela constatou a falta de infraestrutura, tais como chuveiros, sanitários, reciclagem e até mesmo latas de lixo. O relatório do ano passado chamado “Moor or Less” (trocadilho com “mais ou menos”), do qual Jones foi uma das autoras, mostrou que o número de ancoradouros e outras instalações para barcos em Londres está se esgotando devido à crescente demanda.

MORADORES CURTEM A LIBERDADE NÔMADE

O Canal and River Trust e as operadoras particulares não têm muitos ancoradouros permanentes disponíveis para aluguel. Isso significa que a maioria dos moradores de barcos em Londres precisa ter uma licença para “navegação contínua”, que permitem a permanência em um mesmo ponto por um período de no máximo duas semanas, exigindo uma constante busca por lugares disponíveis para atracar.


Kevin Kibbey mora em um barco há dois anos
Foto: FOTOS ANDREW TESTA, THE NEW YORK TIMES

Algumas pessoas não se importam de viver como nômades. Antes mesmo de os ancoradouros permanentes se tornarem escassos, Kevin Kibbey já havia optado pela vida de navegante contínuo nos canais da Inglaterra. Nos últimos dois anos, ele navega pelos canais de Londres, onde durante o dia trabalha como analista de software.

– É a liberdade de mudar de paisagem ao ligar um motor. Os canais de Londres nem sempre foram residenciais. Construídos há mais de 200 anos, são parte dos 3,2 mil quilômetros do Rio Tâmisa,em Londres, até Manchester e Liverpool.

DESAFIOS ATUAIS

No ano passado, o número de licenças para as navegações contínuas em East London aumentou em um terço. Mas os responsáveis pelas concessões dizem que o sistema não foi concebido para manter tantas embarcações. Com o número crescente de casas flutuantes, a segurança se tornou uma preocupação: canais escuros e isolados deixam barcos e seus moradores vulneráveis. Arrombamentos são uma ocorrência cada vez mais comum. O Canal and River Trust recentemente instalou novas câmeras de vigilância, mas muitos moradores dizem que não se sentem seguros à noite.


Licenças autorizam o barco a ser usado como casa
Foto: FOTOS ANDREW TESTA, THE NEW YORK TIMES

Wilf Horsfall, que vive em um barco há três anos, foi assaltado no ano passado em frente a seu barco.

– As pessoas têm uma visão romantizada desse estilo de vida, mas há riscos que precisam enfrentar.

Jennifer Jones disse que são frequentes disputas entre residentes e navegadores, incluindo queixas que incluem fogões fumacentos (quando se usa madeira como combustível para cozinhar) e barulho de motores até altas horas para carregar as baterias das luzes. Para os moradores como Ros, os limites da vida no barco são preocupantes.

– Esse estilo de vida alternativo é maravilhoso e deve ser protegido. Não deveria ser um último recurso

 

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