Flexibilidade do momento: quatro projetos com portas de correr

Fotos Carlos Edler, Divulgação
Fotos Carlos Edler, Divulgação

Com atmosfera de casa térrea, este living é integrado com a cozinha de uma maneira inteligente. Ao mesmo tempo que, ao abrir as portas estilo veneziana com pintura em laca branca, ganham um vão livre de 2m20cm, os espaços também ficam setorizados com o mesmo recurso dos módulos presos em uma estrutura metálica com pintura eletrostática preta.

Projeto das arquitetas Jéssica Kischler, Renata Lui, Laura Azeredo e Daisy Homrich, os ambientes somados chegam a 50 metros quadrados e a estética é despojada e com materiais com histórias para contar.

– A premissa era ter um estilo de casa de bairro, por isso optamos pela porta que lembra janelas e não os modelos com painéis – explica Jessica.

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Feitos em serralheria, os trilhos foram fixados diretamente na laje da apartamento. Toda a identidade foi pensada com referências do toque industrial, como o piso de cimento queimado – mesmo material da parede de um dos setores do estar.  Vigas resultantes da integração de um quarto com a sala e parte de uma parede da cozinha foram descascadas e os tijolos, pintados de branco.

– É uma proposta que aceita os materiais como eles são. Os clientes quiserem o cimento queimado e não resinas com essa aparência, mesmo sabendo que o material trabalha. Existe todo um movimento pelo natural, pelo mais simples – diz.

Em tempos de imóveis pequenos, Jessica também defende o uso das portas de correr como uma forma de poupar centímetros importantes:

– É importante pensar que no raio onde a porta passa quando aberta não é possível colocar móveis. Com portas deslizantes, elas apenas correm para o lado.

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As cadeiras Eiffel, de Charles Eames, e Uma, compõem o jantar. O parquê original foi restaurado e a pilar estrutural ficou com os tijolos aparentes e pintados de branco. No setor do sofá com capitonê, o cimento queimado destaca a parede. A prateleira é feita com parte de uma janela basculante, retirada após a integração da cozinha e da lavanderia

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Multiuso, o carrinho é usado como bancada de cozinha americana ou suporte para a mesa de refeições. Desenho das arquitetas, tem estrutura metálica, prateleiras com pintura de microtextura e tampo de inox.  O ferro também foi usado na laje da cozinha, onde foram pendurados os fios revestidos por tecido vermelho das luminárias

Bagunça setorizada

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Fotos Carlos Edler, divulgação

Pais de dois meninos pequenos, os moradores deste apartamento no bairro Central Parque  sempre pensaram em transformar um dos quartos em um espaço para os brinquedos da dupla.

Quando assumiu o projeto, a arquiteta Daniela Giffoni usou sua experiência de mãe e propôs fechar a porta que ficava na circulação da área íntima e integrar o quarto com a sala de 60 metros quadrados por meio da parede lateral.

– Quem tem criança em casa sabe que é preciso estar sempre atento e com elas o mais perto possível – conta Daniela.

Como a vida social do casal é bastante voltada para a casa, recebendo amigos com filhos também pequenos, a solução foi “colocar a baixo” toda a divisória do dormitório, garantindo um vão de  3m85cm. Os nove metros quadrados do espaço ganharam o mesmo piso do living, um porcelanato off white com brilho. Mas e quando a baguncinha compromete a organização da sala?

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– Os clientes também não queriam abrir mão de ter uma sala bonita e organizada – relembra a arquiteta.

Para a instalação dos quatro vãos móveis da porta, sem ter trilhos no chão, uma viga foi projetada na laje para suportar o peso das portas e imprimir o efeito suspenso:

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– É um cuidado técnico importante, pois não é indicado instalar no gesso uma estrutura como esta. A opção, nestes casos, seriam trilhos em uma altura mais baixa que o forro. É possível pensar em deixá-los aparentes, um estilo bastante pedido nos dias de hoje.

Parte integrante do conceito do living, os espelhos também exigiram um cuidado na iluminação. Segundo Daniela, nenhuma iluminação foi  voltada diretamente para as portas, para evitar reflexos cujos efeitos de borrões desagradam a profissional.

Funcionalidade contemporânea

Fotos Omar Freitas

Fotos Omar Freitas

 

Uma passagem livre e ampla da cozinha para a sala de jantar constava entre os pedidos dos proprietários deste apartamento, no bairro Jardim Europa. Entre as muitas dúvidas na hora de decidir como será a futura casa, uma certeza se destacava: não queriam cozinha americana.

– A integração total não era o desejo deles, então ampliamos o vão da porta em 10cm e começamos a pensar as opções de modelos – explica a arquiteta Lisete Jardim, que assina
o projeto de interiores do imóvel com o sócio Carlos Jardim, do escritório Jardim Arquitetura.

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Portas sanfonadas não garantiriam o aproveitamento total do novo vão, e modelos vai e vem – usuais em restaurantes e que imprimem um estilo despojado para as moradas – não traziam a praticidade desejada, segundo Lisete.

Ao pensar a parede divisória, a proposta recaiu para um visual de painel, mimetizando a porta de correr com trilhos e roldanas aparentes ao papel de parede de textura aveludada.

A mesma estrutura em aço foi aplicada no painel da churrasqueira, onde um vão de correr esconde a churrasqueira nos dias em que o equipamento não é usado – e, novamente, tira partido da ideia de unidade visual, ao compor o volume do home theater.

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– Portas de correr ganharam muita força nos últimos anos, com a necessidade de integração de espaços. O mais importante é que ganha-se possibilidades para trabalhar, mas também garante privacidade em momentos que a pessoa não quer exposição – explica Lisete.

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Original valorizado

Fotos Eduardo Liotti, Divulgação

Fotos Eduardo Liotti, Divulgação

A funcionalidade das portas de correr deste apartamento de cobertura no bairro Mon’t Serrat foi posta à prova quando novos moradores adquiriram o imóvel. Além de serem mantidas, passaram por uma repaginada para compor com o projeto de interiores da arquiteta Daisy Dias, do escritório Destudio de Arquitetura, e colaboração da arquiteta Amanda Sanchez.

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Ambas trazem duas folhas de 1m30cm cada, setorizando vãos de 2m60cm. Uma, ao lado da mesa de jantar, pode conferir privacidade aos moradores – ambos professores – quando levam trabalho para casa.

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A segunda, ao lado do home theater em laca branca e parede revestida de placas de argila expandida, divide o acesso à área íntima e à escada da cobertura. Por ali, também é o cantinho das crianças, com móveis baixos de pallets na base e futons revestidos por tecido de lona.

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Reformar as portas foi um dos pontos do trabalho, que também criou a cozinha americana destacada pelo balcão com azulejos de 20cm x 20cm adesivados e tampo de compensado naval. Peças de cores intensas escolhidas para a nova sala, como as cadeiras Thonart e as banquetas Tolix, foram mescladas com o acervo da família, a exemplo do bufê azul.

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Fotos Carlos Edler

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