Dois lofts unidos pela estética contemporânea

Fotos Sergio Vergara, Divulgação
Fotos Sergio Vergara, Divulgação

Um sonho contemporâneo para muitos, o loft traduz mais do que um estilo construtivo: é uma forma de morar. Espaços integrados, muita iluminação natural e pé-direito duplo estão entre as características destas edificações, frequentemente associadas aos despojados galpões nova iorquinos, e com grande procura em empreendimentos.

Nesta versão de tônica sofisticada no bairro Mont’Serrat, em Porto Alegre, o arquiteto Luciano Teston criou uma proposta que define como “densa”.  Longe de ser despretensioso, o projeto desde o primeiro momento transparece que os 97 metros quadrados foram estudados minuciosamente pelo profissional.

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Com muitas paredes em ângulos, Teston não ocultou esta formatação e, pelo contrário, valorizou a geometria com revestimentos contínuos – como porcelanato no piso e nas paredes – e elegeu a paleta dos cinzas.  Também soube ousar em criações escultóricas, como a escada, que em determinados momentos parece suspensa no ar devido ao sistema de encaixe dos degraus, que remete aos jogos de lego.

Os tons sóbrios em materiais, como o porcelanato com aparência cimentícia e a laca do móvel da TV, têm, além da estética, uma explicação técnica.

– Essas cores absorvem a reflexão da luz, que é muito forte aqui devido às amplas janelas – explica Teston.

Escolhas por peças de design assinado não ficaram restritas aos móveis. Em acessórios, como no centro de mesa do egípcio Karim Rashid e no castiçal da sueca Ehlén Johansson, a valorização do autoral está presente. Obras de arte também personalizam o loft, como a gravura de Volpi, a foto de Amélia Brandelli, e as artes digitais de Russ e Laís Dias.

Ao partir de um painel ao lado da escada, o amadeirado padrão Nocciola, segue até a cozinha, onde é composto com o silestone Unsui e o vidro Argentato Grigio.

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Presença do cinza
No alto da página, ao lado da TV, a cadeira de Charles Eames e o revisteiro de Jorge Zalszupin. O sofá é de Marcelo Rosenbaum, e a poltrona Bali do italiano Carlo Colombo. O arquiteto Luciano Teston assina a mesa de centro, em laca azul-escuro

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Ângulos estratégicos
O que seria um problema, o excesso de angulações nas paredes foi valorizado por painéis de porcelanato para expor obras de arte. Acima, a cozinha com lâmina padrão Nocciola. A mesa ebanizada com tampo de vidro com cadeiras Herman Miller é iluminada pelo trabalho de Paolo Rizzatto. Detalhe para o tonel do artista plástico Abidiel Vicente, que brinca com o nome de um famoso ansiolítico

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Paisagem descoberta
No dormitório, a vista da cidade é um dos planos de fundo mais imponentes. A mesma proposta estética foi estendida ao mezanino, com toques de conforto para as horas de repouso. Entre eles, o carpete de 100% náilon para o piso e um tom mais escuro de lâmina de madeira, o Cilégio. A laca preta entra em cena para compor com o mármore Nero Marquina, da lareira. Para as portas de correr do armário, a escolha foi por espelho bronze

GALPÃO CHIQUE

 

Fotos Vanessa Bohn, Divulgação

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Com um perfil jovem e apaixonado por referências de viagens, o morador deste loft, no Vale do Sinos, tem um diferencial que valorizou o projeto de interiores da arquiteta Ana Colnaghi, titular do Studio Colnaghi Arquitetura. Profissional da área comercial de uma empresa moveleira, o cliente sabia o que queria desde o primeiro momento do briefing entregue à Ana.

– Ele sempre foi bastante decidido em relação ao que queria. Trouxe muitas referências, inclusive de fotos, e queria a estética industrial, mas com um toque mais chique – explica a arquiteta.

Com 100 metros quadrados, o loft passou por poucas alterações na planta baixa. Mais precisamente na cozinha, onde a churrasqueira foi retirada para a criação de uma área maior de bar – uma extra fica na varanda –, e na lavanderia. Hoje, a área de serviço apresenta um balcão com tanque e equipamentos, escondidos atrás das portas de vidro reflecta na cozinha.

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Iniciado ainda no período de construção do prédio, o projeto pôde detalhar a escada, agora em ferro e com desenho geométrico. Assim como detalhar todos os revestimentos, como
o porcelanato com aparência de cimentício no living e madeira na cozinha.

Outra característica do trabalho é a escolha por materiais naturais. Um dos mais impactantes é o uso de tijolos de demolição em algumas paredes – incluindo uma faixa que acompanha o pé-direito duplo. Assim como as lâminas de madeira, intercaladas entre ipê, cinamomo e freijó. Para garantir tons uniformes, todas ganharam acabamentos semelhantes e mais escuros.

Para os tecidos, predominou o linho, como nos estofados – com gramatura maior na versão de tom cru do segundo estar – e nas cortinas. Para um melhor bloqueio da luz, uma vez que o dormitório fica no mezanino aberto, persianas rolôs motorizadas foram instaladas.

Os móveis soltos seguem um padrão que sugere um estilo modernista, mais esguios. E os planejados não ficam a dever na questão bossa: nas portas dos armários da cozinha, destaca-se o acabamento batizado de Porcelana.

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Leveza metálica
Escultórica, a escada tem base de ferro pintado de cinza-chumbo e degraus revestidos por lâminas de madeira ipê. Elementos naturais foram priorizados, a exemplo dos tijolos de demolição que revestem parte das paredes. Ao lado, em composição com o painel da TV, em laca alto-brilho azul, os nichos de ferro foram pintados de preto e as prateleiras são de lâmina de madeira cinamomo

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Espaços valorizados
Uma bancada slim interliga a área do jantar e a cozinha americana – na forma de um aparador em frente à janela. Um clássico lustre de cristal é ponto de contraste com a atmosfera despojada dos demais revestimentos e acessórios. Na cozinha, o efeito bronze pode ser visto no vidro das portas do armário aéreo e nas três folhas das portas que ocultam a lavanderia compacta,  na versão vidro reflecta

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Sem barreiras
O quarto tem composição de cabeceira com módulos revestidos por tecidos de linho e efeito ripado com madeira freijó. No piso, a proposta foi por um material vinílico. À esquerda, um segundo estar com estofado de linho. Ao fundo na foto, o volume das paredes do lavabo foi revestido por madeira freijó

 

 

Fotos Eduardo Liotti

A beleza do tempo: projeto valoriza acervo de obras de arte e móveis restaurados

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O design internacional de Marta Manente