Cinco projetos com o visual do tijolo aparente

Marcelo Donadussi, Divulgação
Marcelo Donadussi, Divulgação

Por um grande período de tempo, ter um ambiente interno com o acolhedor efeito dos tijolos aparentes era um luxo estético reservado para poucos. Quase sempre, era necessário ter uma parede com versões maciças do material para, após o trabalho de descascar o reboco, escolher entre verniz ou até mesmo uma pintura.

Nos últimos anos, no entanto, a indústria de revestimentos investiu em um efeito cada vez mais fiel para as placas de argila expandida, que reproduzem o visual com praticidade para quem tem divisórias de gesso. Assim como os cortes centrais em tijolos de demolição otimizaram o uso das peças – muitas vezes é possível usar as duas faces – e também poupa espaço, ao apresentar menor espessura.

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Para este living de 55 metros quadrados no bairro Moinhos de Vento, as arquitetas Carla Tortelli e Luana Fernandes, do estúdio Arquitetando Ideias, a maior parede foi revestida pelas placas de tom médio, eleitas para compor com a madeira do piso – preexistente e que recebeu apenas um lixamento.

– Desta forma, conseguimos ter liberdade na escolha dos demais materiais, sem que nada competisse entre si – diz Carla, referindo, principalmente, à bancada de silestone verde da cozinha.

O tom favorito do casal, o preto, foi eleito para a faixa de marcenaria com fita de LED que destaca a parede, e interliga o desenho ao forro, quando a cor surge no interior de uma sanca.
Também para valorizar o revestimento, poucos elementos foram instalados nas paredes, com exceção apenas para a TV e o ar-condicionado. Dois spots presos a um duto aparente reforçam a luminotécnica.
Tudo pensado sem medo de enjoar em poucos anos.

– Com a troca de móveis soltos e tecidos, ganha-se um ambiente completamente diferente – afirma Carla, que também destacou a neutra laca acetinada da marcenaria.

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Tons terrosos
Madeira e placas de argila fazem a base neutra para o preto, o azul e o verde. Na cozinha, as cores do quadro de Daniel Malta e, ao fundo, de Ruben Ireland. Abaixo, a janela ganhou uma atenção especial: além das persianas rolôs, os reposteiros são de inusitado couro ecológico

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Caminho demarcado
O revestimento da parede do living segue pela circulação de acesso à área íntima. Neste setor da casa, o piso é porcelanato com aparência de concreto. A faixa de marcenaria com fita de LED é interligada à sanca, com pintura preta no interior

NATURALMENTE DESPOJADO

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Com um desenho desenvolvido no escritório e impresso a laser, as arquitetas Carla Tortelli e Luana Fernandes, do estúdio Arquitetando Ideias, deixaram uma marca ousada neste projeto, em um apartamento no bairro Moinhos de Vento.

– No primeiro momento, pensamos em fazer o desenho com as placas e colar na parede – explica Luana.

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Como o prédio é antigo, a ideia era valorizar os tijolos, com características maciças – com o tipo de cozimento da argila – mas com furos no miolo. Após o descascar do reboco, um selador a base de água e fosco foi aplicado para evitar poeira e mofo. Faixas de marcenaria e fitas de LED finalizam a criação.

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REFLEXOS DE UM ESTILO

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Fotos Carlos Edler, Divulgação

É entre a vista do Guaíba, no 13º andar de um prédio comercial na zona sul da Capital, e as paredes revestidas de tijolos de demolição originais que aqueles que trabalham ou visitam este escritório dividem as atenções. Projeto dos arquitetos Maria Celina Canario e José Paulo Tesche, do Canario & Tesche Arquitetura e Design, a sala de 40 metros quadrados é dividida em ambientes que dialogam por meio de elementos vazados, como a estante em laca cinza, e reflexos que são vistos de diferentes ângulos por meio de espelhos. Para a aplicação dos tijolos, foi usada uma argamassa colante “escondida”.

 

– Assim, é possível ter o efeito de junta seca – explica Tesche, complementando que, por se tratar de um ambiente interno, não foi preciso nenhum reparo especial.

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Entusiasta do uso do material, o arquiteto diz que “aceita as imperfeições” dos tijolos em alguns casos e incorpora ao estilo do cômodo. Até mesmo em divisórias de ambientes, quando as duas faces do produtos ficam expostas. Em casos onde a praticidade e a execução rápida estão entre as principais condicionantes, as plaquetas de argila também aparecem em suas criações, sem restrição de perfil de espaço.

– Já usamos uma versão esbranquiçada para uma parede de fundo de um quarto de bebê – relembra.

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Beleza em dobro
Os espelhos duplicam os efeitos dos tijolos de demolição e peças de design, como a cadeira Pantosh, da Lattoog Design. Na foto abaixo, o mesmo recurso de reflexo exibe a mesa lateral Cila, de Simone Giovanella, e o quadro de Clara Fujikawa

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ESTRUTURA VALORIZADA

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Fotos Carlos Edler, Divulgação

Com 80  metros quadrados totais,  este apartamento passou, entre outras transformações, pela integração de um quarto com a sala. Da mudança, uma parede estrutural ficou como “herança”. A decisão das arquitetas Camila Sanguiné, Heloisa Bocorny e Juliana Carvalho, do escritório HB Interiores, recaiu para destacá-la.

– Fizemos com que a parede ganhasse importância, e não que fosse apenas um resíduo da integração – explica Camila.

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O pedido dos clientes por um estilo rústico foi atendido nas placas de argila expandida. Para que o living integrado com a cozinha ganhasse uma luminosidade natural, cores claras e espelhos complementam as escolhas. O cinza surge no piso, nas paredes e no tecido do sofá.

Para Camila, mesmo com a crescente gama de revestimentos com a aparência dos tijolos, ainda é o público com preferência ao rústico que solicita esta proposta. Assim como os livings são os espaços mais lembrados:

– Para um dormitório é mais difícil, mas tem projetos que ficam muito bem com placas brancas ou off white.

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Estar e trabalhar
Para delimitar o espaço da TV e um home office, as arquitetas revestiram a parede com placas de argila em tom médio e criaram no entorno um móvel versátil, que contorna a estrutura. Em laca branca acetinada, a marcenaria compõe com o restante da sala de tons neutros e com a aparência do cimento no piso de porcelanato e na textura da parede. Abaixo, a cadeira Paulistano, de Paulo Mendes de Rocha

CLIMA DE BONS ENCONTROS

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Fotos Zé Barbosa, Divulgação

Com brindes e sessões de filmes e shows no home theater que este ambiente de 38 metros quadrados tem seu uso marcado nos finais de semana.
No subsolo da casa, em Santa Maria, a proposta para uma adega era um destino quase certeiro para o espaço, com projeto de interiores dos arquitetos Zé Barbosa, Luara Mayer e Roberta Noal, do escritório Lineastudio Arquiteturas.

Para um conforto térmico que não demandasse muitos gastos com energia elétrica, o trio pensou em vidros insulados e no maior destaque visual: as paredes com tijolos de demolição cortados no formato de placas. Devido à posição do cômodo, um trabalho de impermeabilização foi preciso, para apenas após esse cuidado o revestimento ser colado com argamassa. A escolha final foi pela aparência da junta seca.

– O tijolo é abaixo de modismos. Já trabalhamos com pigmentação e também com diferentes efeitos de escalas, que podem ser pensados a partir das alturas das juntas ou da forma de posicionar as placas – explica Zé Barbosa.

Alguns spots foram instalados no forro ripado, com reforço de arandelas nas paredes, com iluminação amarelada.

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Parceria com a madeira
Cumaru certificado foi usado nas ripas do teto, recurso que auxilia na acústica do espaço, também usado como home theater. Apesar da adega climatizada, algumas garrafas ficam em prateleiras, uma vez que a temperatura ambiente é constantemente agradável

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Terceiro elemento
Além dos tijolos e da madeira, o piso chama atenção pelo porcelanato com aparência de aço corten. Embora o rústico seja o conceito, os móveis têm linhas limpas, como as banquetas altas Thonart. A marcenaria sobre a bancada, com iluminação pendente, estende-se até a lateral transformando-se em painel de TV

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Escritório Atum Workstyle

Projeto de paisagismo de interiores

Fotos Yuri Seródio, Divulgação

Alex Hanazaki e seu jardim arquitetado na Casa Cor SP