A tendência do nomadismo direto de Milão, na Itália

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No Bel Paese (“belo país”, na tradução, uma designação famosa para se referir à Itália), já morei em Roma, Ravello (Costa Amalfitana) e hoje fixei raízes em Milão. Quando me perguntam qual é a mais bela, vejo pontos de interrogação na minha cabeça e fico, quase sempre, sem poder responder. Penso então que a beleza seja, sem dúvida, a principal característica que o mundo atribui à Itália, das cidades pequenas às metrópoles, e a compreensão do que seja realmente esta beleza é hoje chave fundamental para sabermos quem somos e olharmos para o futuro.

Além desta característica, o conceito de qualidade, nas suas tantas declinações – cultural e social, arquitetônica e ambiental – encerra o melhor da identidade e da história italianas, mas é, sobretudo, um grande desafio manter e comunicar. Assim, em minha opinião, dentre tantos outros inputs, este Fuorisalone conseguiu juntar ambas, realizando um verdadeiro hino às meraviglie (maravilhas) da Itália. A cada distrito de design – no total hoje temos 15 espalhados pela cidade – que visitávamos com o grupo do Inputs From Fuorisalone, ficávamos maravilhados com tantos jardins vestidos especialmente para a ocasião, tantos palácios de época abertos para visitação, que nos mostravam as suas belezas arquitetônicas e de interiores, geralmente escondidas aos olhos do dia a dia, conjugando-as com o design de última geração: quem viu as pesadas mesas de mármore do designer Emmanuel Babled que se sustentavam apenas pelas leis da Física saberá do que estamos falando.

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Assim, destaco uma palavra-chave que tenta resumir os seis dias de muitas caminhadas e coolhunting por este território cheio de história, arte, moda, cultura e muito design: o Luxo Botânico. Após, veremos os caminhos projetuais que estavam expostos nos showrooms das principais marcas de design que trarão cores, formas e modos de viver o espaço e os interiores de nossas casas a partir de 2016.

Objetos nômades

A LouisVuitton apresentou a nova coleção Objets Nomades: nove designers reinterpretaram a arte da viagem com uma coleção de objetos inspirados no ato de viajar que celebram o encontro entre o savoir faire e o design. O Nomadismo é uma grande tendência, agora concretizada em produtos pela famosa maison francesa. De uma rede em preciosa pele nômade até uma cama dobrável, todos os objetos foram inspirados em ícones da maison, como por exemplo o famoso Baule Letto (1880), que foi à época um projeto especial para o explorador Pierre de Brazza ou ainda o Baule Biblioteca (1875), adicionando um espírito de desafio contemporâneo. Outras criações exibidas foram uma cadeira de praia telada, do tipo utilizado pelos nossos bisavós para assegurar um transporte seguro para os baús de viagem, uma Swing Chair – referência à característica costura das alças das bolsas – e também a inovativa Belle Lamp, inspirada na bolsa Noé carregável por luz solar.

A belíssima Maison au Bord de l’Eau, no jardim de Palazzo Bocconi, interagia com os Objets Nomades: é um verdadeiro apartamento nômade, imaginado com todos os confortos possíveis, e completamente desmontável.

 

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Jardim das Maravilhas

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Uma instalação no coração de Milão, denominada Jardim das Maravilhas: uma jornada através dos perfumes, foi uma experiência de reencontro dos sentidos para quem estava no agito do Fuorisalone. O tema da mostra – promovida pela Interni e Be Open no nosso delicioso Orto Botanico di Brera, dentro do evento Energy for Creativity – foi o Perfume. O objetivo foi redescobrir as marcas históricas de perfumaria desaparecidas, relançar excelências internacionais e permitir um percurso de rebranding. Destaco o designer Tord Boontje que redescobriu as raízes boheme da marca Waldes et Spol, com plantas aromáticas que flutuavam no ar e vasos refinados como frascos de perfumaria, enquanto Fernando e Humberto Campana para Biette desenharam um frasco de porcelana que tinha a forma de um animal marinho. O brand italiano Bertelli foi reinterpretado por Dimorestudio, enquanto o trio Front se concentrou na marca Guyla.

Já Jaime Hayon escolheu a Boissard: e daqui nasceu o surreal laboratório de fantasia onde o alquimista trabalha ao centro de uma explosão de formas. O italiano Piero Lissoni deu a sua interpretação da casa de perfumes americana Lundborg: aqui o frasco do perfume é o protagonista em uma instalação que contém 700 itens. Vimos a quase desconhecida Bertif, que deu um pulo na Paris do século 19 criando frascos de alto valor, em madeira preciosa e cristal trabalhado. E, finalmente, nosso studio de design preferido, Nendo, que para o perfume Fandango escolheu recipientes: em cada um delas encerrou um pequeno tubo que desenha o perfil da coleção histórica da empresa, com gradações de cores quentes e escuras.

Caminhos projetuais

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Entre as principais apostas deste ano, o Salone registrou novamente uma forte paixão pelos grandes autores do passado, com relançamentos de nomes consagrados como Sottsass e Le Corbusier ou maestros italianos como Alessandro Mendini e Bellini. A oferta de conforto com relax estava na base conceitual de muitos produtos, ou seja, a preocupação em oferecer o que chamamos de lounging confortável, que se traduzia em sofás e poltronas que mais se aproximavam ao relaxamento de uma chaise longue ou mesmo de uma cama Largas e macias almofadas nos protegiam das estruturas de madeira quase sempre cobertas por tecido, como vimos em Moroso, que aliás lançou um sofá que parecia mesmo um colchão, o Matrizia, de Ron Arad. Para nos desfazermos do susto, havia o outro lançamento delicioso do designer, em curvas e cores: o
Glider Sofa, também assinado por Ron Arad.

Foto: Eleone Prestes

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Fotos: Omar Freitas

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