Mão na massa: a popularização da cultura do “faça você mesmo”

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A popularização dos tutoriais de DIY (do it yourself) tem se alastrado de forma vertiginosa pela web. A cultura do “faça você mesmo” não é nova, mas nos últimos tempos tem sido potencializada por redes sociais relacionadas ao artesanato, como o Pinterest, e por ferramentas que facilitam o desenvolvimento dos produtos de forma artesanal. Hoje já podemos sonhar, num futuro não tão distante, com uma impressora 3D em casa que imprima nossos objetos de desejo de forma imediata, por que não?

Ideias de execução e transformação de objetos ganham destaque na moda, na gastronomia, na jardinagem e na decoração. Surgido no período pósguerra, o movimento DIY surgiu como forma de alavancar o progresso e baratear os custos de pequenas reformas residenciais. Entretanto, esse é apenas um dos preceitos do DIY (que, convenhamos, cai muito bem no delicado momento econômico atual). O DIY prega que todos têm potencial de colocar a mão na massa, buscando antes, é claro, conhecimento para executar o projeto. Mas, na realidade, será que é isso que acontece?

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Estilo dos tecidos de DIY vai desde o minimalismo ao abstrato

Talvez não.Talvez o produto, a parede ou o tecido não fiquem exatamente como no “enunciado”, mas o sentido do DIY está não somente no resultado. É possível que, na escala de importância da produção artesanal, esse fique por último. O envolvimento com todo o processo, a escolha dos materiais e a execução com a mão na massa é que fazem a diferença e trazem a experiência ao usuário, deixando a impressão digital de quem fez o objeto. E, quando se trata de tutoriais de DIY em tecidos estampados, a pegada manual fica ainda mais caracterizada.

As ferramentas hoje em dia remetem a processos utilizados na estamparia há mais de dois mil anos. A lógica de funcionamento é similar: a diferença está nos materiais utilizados para desenvolver tais ferramentas, que variam conforme a matéria-prima e a criatividade. No que se relaciona à estética dos
tecidos, pode-se dizer que os produzidos manualmente fogem da perfeição de traços, caracterizando-se ora por formas abstratas, ora por minimalistas. As abstratas são características dos tecidos feitos com a técnica do tie dying. Esta técnica se popularizou na década de 1960 pela marca de corantes RitDye. Aliás, foram os tutoriais de DIY disponibilizados em peças publicitárias, como na foto da revista Seventeen, os responsáveis pela popularização da marca, que até hoje incentiva o “faça você mesmo”.

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Inspirações da Finlândia encantam

Em oposição ao tie dying, há os tecidos com formas definidas, porém minimalistas, com características que remetem ao design escandinavo. Um dos motivos pelo qual a estamparia manual pende para esse estilo se deve à dificuldade de detalhar a superfície das ferramentas que reproduzirão as estampas. A marca escandinava Marimekko é um dos clássicos do design de superfície em estampas e tem como identidade design de linguagem simples, traços fortes e cores primárias.

Igualmente de origem escandinava, a finlandesa Lotta Jansdotter se utiliza de técnicas manuais de estamparia que aprendeu quando criança, como o carimbo de batata. Mesmo quando feitos em escala industrial, não perdem a estética manual, tão forte nos produtos de Lotta. A padronagem é criada à mão, e depois reproduzida industrialmente para diversos suportes de décor, como papéis de parede, cerâmica e, claro, tecidos. Entusiasta das práticas manuais, Lotta incentiva as pessoas a fazerem seus próprios produtos, por meio do compartilhamento de técnicas de estamparia, e é pragmática quanto a estimular o DIY: “Não encontra o que quer? Faça! Não sabe como? Aprenda!”.

No Pinterest de Casa&Cia, montamos um board com dicas e tutoriais bacanas.

Omar Freitas / Agencia RBS

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Lu Gastal

Em vídeo, aprenda a fazer um coelho de tecido com a artesã Lu Gastal