Coluna Henrique Steyer: “Nem tudo que reluz é ouro… Também pode ser Cristal Baccarat”

Foto: Louis Philippe/ Divulgação
Foto: Louis Philippe/ Divulgação

Por volta de 1764, o aclamado Rei Luís XV da França ordenou que fosse estabelecida uma fábrica de vidro na aldeia de Baccarat, no leste francês. Nascia assim uma das maiores grifes mundiais de objetos decorativos e luminárias. A produção de cristal propriamente dita se iniciou somente no ano de 1816, e foi em 1823 que a comissão real da coroa francesa encomendou um serviço completo de taças diferentes para água, vinho branco, vinho tinto e champanhe para Luís XVIII. A partir daquele dia, a clientela da fábrica cresceu exponencialmente, incluindo as mais diferentes famílias reais europeias, chefes de Estado, Vaticano, o Imperador do Japão e por aí vai.

Foto: Louis Philippe/ Divulgação

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Entre as maravilhas produzidas pela marca, está o maior lustre já feito pela fábrica, com 8,4m de altura, 410 lâmpadas e suas 26,5 mil peças de cristal que pesam 1,8 tonelada (acima). Projetado pelo artista japonês Yasumichi Morita, o chandelier é um monumento, medindo quase a altura de um edifício de três andares.

Os aficionados por este universo agora podem fazer imersão total no Hotel Baccarat, aberto recentemente em Nova York, onde o brilho do cristal está por todos os lados. Segundo palavras de seu diretor, glamour, arte e sofisticação fazem parte do DNA da marca, que representa um tipo de investimento que sempre dá prazer a seu consumidor e passa de geração para geração. Entre as estrelas que já desenharam para a marca, são destaques os brasileiros Irmãos Campana (primeira foto da matéria) e Philippe Starck (abaixo), que desenhou o icônico lustre coberto por um guarda-chuva branco.

Foto: Louis Philippe/ Divulgação

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Este ano, tive a honra de ser convidado pela Maison Baccarat para criar uma ação em sua loja paulistana durante a semana do design, que ocorreu de 12 a 16 de agosto. A qualidade das peças e o capricho de sua execução impressionam até os olhos mais céticos de que um mundo mais bonito existe lá fora. O brilho refletido por um cristal Baccarat parece mais intenso do que qualquer outro brilho. Se nem tudo que reluz é ouro, o cristal pode custar mais do que o metal. Obviamente, pequenos adornos e pesos de papel têm preços acessíveis, mas entre as peças que exibimos no evento paulistano, estão lustres e mesas feitos inteiramente de cristal com custo superior a um belo apartamento. Se estas são peças exclusivas para poucos, serve como consolo saber que a empresa francesa tem uma grande reputação como um empregador que cuida de gerações de vidreiros. A pequena cidade de Baccarat vive quase que exclusivamente da fábrica, e é um lugar lindo para se visitar. Olhar não custa nada.

Foto: Louis Philippe/ Divulgação

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Brinde à criação
Taça Harcourt, de Louis Philippe, fez parte de uma exposição durante a DW! Design Weekend com interpretações feitas no suporte por artistas e arquitetos

** Formado em Arquitetura e Urbanismo, com pós-graduação em imagem publicitária e design estratégico, Henrique projetou na África do Sul, foi capa de revista na China e seus projetos, publicados em quase 40 países. Observador, ousado e irreverente, o gaúcho percorre temas atuais de lifestyle, design e arquitetura neste espaço. A sua empresa, Steyer: Arquitetura, Design e Comunicação, conta com o designer e advogado Felipe Rijo e com a especialista em Marketing e Design Estratégico Claudia Silber no corpo estratégico.

 

Acabamento dos móveis está dividido entre fosco e com brilho, no caso das lacas. Móveis de madeira com aparência natural aquecem as áreas alvas. Foto: Marcelo Donadussi/ Divulgação

Projeto mostra como proposta clean equilibra móveis e acessórios contrastantes nos tons escolhidos pelos jovens donos do apartamento

Foto: Jomar Bragança/ Divulgação

Efeito do cortineiro iluminado encaixado no gesso proporciona aconchego e requinte