Bienal Brasileira do design apresenta exposição focada na tecnologia 3D

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Uma coleção de joias que se chama DNA justamente por ter peças únicas – impressas individualmente em 3D – dá uma ideia do que será a mostra Design Tecnológico – Os makers e a materialização digital, uma das mais esperadas da Bienal Brasileira de Design 2015, até 12 de julho, em Florianópolis. A exposição, que abre no próximo dia 22, apresentará um panorama da rápida evolução no país e no exterior da tecnologia de impressão digital em 3D, uma febre mundial entre os designers.  Para o curador Jorge Lopes, professor da PUC Rio, a ideia é captar o momento novo que essa tecnologia vive hoje com a rápida materialização dos projetos.

– Esses projetos são desenvolvidos, de modo geral, por jovens, a partir de uma cultura de garagem surgida nos Estados Unidos – revela. – Essa cultura lhes permite construir coisas e imprimi-las digitalmente — completa.
Coleção de joias DNA, iniciativa da Noiga, empresa criada pelas jovens designers Evelyne Pretti e Renata Trevisan, de Curitiba, selecionada para a mostra

Coleção de joias DNA, iniciativa da Noiga, empresa criada pelas jovens designers Evelyne Pretti e Renata Trevisan, de Curitiba, selecionada para a mostra

Saiba mais sobre a exposição e o universo 3D na entrevista abaixo:
Por que impressão 3D? 
Jorge Lopes – Porque é um processo de deposição camada a camada, similar ao processo de impressão normal, porém com camadas sequenciais uma em cima da outra.
A exposição Makers – a materialização digital é uma das mais esperadas na Bienal em Floripa. A que o público visitante terá acesso?
Lopes – A várias peças demonstrando o processo de impressão 3D, considerado por alguns especialistas a nova revolução industrial. Serão apresentados projetos de impressão 3D em cerâmica, de joias, artigos esportivos e outros.
Exemplifique alguns dos produtos impressos por meio da tecnologia 3D e que foram selecionados para esta exposição.
Lopes – Joias do Antonio Bernardo, cadeira e luminária do holandês Dirk Vander Kooij impressas em 3D a partir de um braço robô, utilizando material reciclado, o projeto Love Project de Guto Requena, que transforma emoções em objetos impressos em 3D e outros.
De que maneira a tecnologia de impressão 3D entrou no universo do design?
Lopes – Para desenvolvermos projetos são necessários vários protótipos que anteriormente tinham que passar por todo o processo convencional de manufatura (moldes, matrizes, etc.) e hoje simplesmente se imprime em 3D para posterior verificação e produção.
Para os profissionais da área do design, o que muda com o acesso a esse tipo de tecnologia?
Lopes – Muda tudo, desde a possibilidade de o próprio designer produzir suas peças sem necessariamente ter uma indústria, produzindo bem, quanto na velocidade, qualidade e precisão; mas principalmente pela total liberdade de construir virtualmente qualquer geometria que antes não era possível.
O que se pode produzir, se criar, fabricar com essa tecnologia? Quais as possibilidades? 
Lopes – Joias, peças de carro, produtos digitalmente customizados (impressos para o cliente com as dimensões próprias), até mesmo peças de avião.
Que materiais são usados hoje para dar forma aos produtos em 3D? 
Lopes – São vários, temos metais como titânio, plásticos diversos, cerâmica e outros.
Que acesso tem o Brasil atualmente a esse tipo de tecnologia e o que o país vem pesquisando nessa área?
Lopes – As pesquisas ainda não são muitas. Temos máquinas em praticamente todos os estados, mas as de produção mais complexa ficam principalmente em grandes empresas. Quanto a pesquisas na área destaco projetos na PUC Rio e na Unicamp em Campinas.
Na área da decoração e arquitetura, quais os ganhos reais na prática? É possível usar a tecnologia no universo da construção civil?
Lopes – Sim, é real e podemos construir estruturas em grande porte, conhecida como concrete 3D printer.
O equipamento em si, é acessível? 
Lopes – Sim qualquer um pode ter acesso, por isso se chama movimento Makers. Porém, os equipamentos de maior precisão dimensional são bem caros ainda e não são acessíveis ao público em geral.
O que define a qualidade do que é impresso em 3D? 
Lopes – Depende muito da tecnologia empregada (máquina x material x precisão dimensional). Temos várias máquinas que produzem peças por exemplo em aço inox.
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Amor em forma de design
Uma experiência que une design, ciência e tecnologia. Este é o Love Project, uma iniciativa do estúdio Guto Requena em transformar emoções em objetos do cotidiano, criando uma relação de sustentabilidade afetiva das pessoas com esses objetos. Uma equipe multidisciplinar faz parte do processo colaborativo de design compartilhado. São muitos os autores desse projeto, que tem como máxima o envolvimento do consumidor final no próprio processo de criação, democratizando e desmistificando o uso de tecnologias numéricas. O Love Project investiga novas possibilidades explorando horizontes da indústria do design, e sua nova lógica de criação, produção, transporte e venda. O resultado desse trabalho, que tem colaboração da D3, será apresentado na exposição – A materialização digital, na Bienal Brasileira do Design. Etapas do processo de digitalização das peças você encontra no site: http://www.gutorequena.com.br.
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Serviço
Os makers e a materialização digital – Mostra voltada para a tecnologia de impressão 3D e os jovens criadores.
De 22 de maio a 12 de julho.
Local: Centro Integrado de Cultura – CIC – Sala Lindolf Bell. Entrada franca
Mais informações: www.bienalbrasileiradedesign.com.br​
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