Catarinense Marcelo Salum faz sua estreia nacional na Mostra Black 2015

Conceituada exposição de decoração será na Oca, em São Paulo, de 3 a 21 de junho

Arquiteto Marcelo Salum - FOTO MARIANA BORO

Ele é um veterano em mostras de decoração, mas em cada novo evento que marca presença consegue surpreender pela criação. Prova disso ocorreu na última mostra que Marcelo Salum participou, a Casa Nova 2013, no Mesc, em Florianópolis _ evento realizado pelo Diário Catarinense, hoje denominado Casa&Cia – quando ao lado da arquiteta Flavia Guglielmi _ sua sócia na época _ projetou o estar Um Sonho Tropical. O ambiente primoroso recriou uma atmosfera do período do descobrimento do Brasil. Aliás, foi com esse projeto que o catarinense recebeu o convite para apresentar seu trabalho em São Paulo, na conceituada Mostra Black. Este será o ano da sua estreia nacional.

Confira abaixo a entrevista com o arquiteto:

Você já é um veterano em mostras de decoração. Como você vê estas participações, qual a importância para você? Que resultados tem?

Marcelo Salum – Tenho prazer em participar de mostras e um dos maiores motivos é a liberdade de criação. Num evento desses você monta seu cenário sem ter que ser direcionado por gostos ou pedidos específicos, como é o caso de um projeto encomendado por um cliente. O escritório é o meu próprio cliente. Esta é a oportunidade de expor, enquanto profissional, o que me motiva, o que é a minha verdadeira essência e inspiração. É o momento de deixar registrado o DNA do escritório Marcelo Salum Arquitetos Associados.
Uma vantagem que sempre tive nessas mostras foi a de não criar expectativa em relação aos resultados. Claro que o objetivo de eventos como esse é a captação de clientes, mas isso acontece de forma indireta, com a construção de um repertório que apresente a nossa marca. De qualquer forma, mesmo seguindo nossa intuição, sempre tivemos excelentes resultados com a conquista direta de clientes.

Sobre a Mostra Casa Nova – hoje Casa&Cia. Você já participa do evento há anos. Como qualifica especificamente esta mostra? De alguma forma, esse evento interferiu ou contribuiu para o seu trabalho?

Salum – Tenho uma identificação e um carinho muito grande com essa mostra. Primeiro porque foi onde comecei a expor meu trabalho (em parceria com a Flavia), segundo porque sinto que a Casa &Cia tem um cuidado especial com a curadoria dos ambientes e tem, principalmente, uma  real preocupação com os locais escolhidos. Em mostras como essa sempre busco aprimorar algum campo do desenvolvimento do meu trabalho, vou fundo em algum tema, e aproveito para pesquisar alguma escola que me interessa. Nesse sentido a Mostra interfere e contribui positivamente.

Qual foi a última participação em mostra e qual ambiente criou? Foi com o ambiente da Mostra Casa Nova 2013 no Mesc que Raquel (da Mostra Black) conheceu o seu trabalho? O que você acredita que possa ter chamado a atenção dela no espaço?

Salum – O úlltimo ambiente foi no Mesc “Um Sonho Tropical” (foto abaixo). Foi nesta oportunidade que a Raquel Silveira, curadora da Black, conheceu meu trabalho. Sempre reproduzo nos meus ambientes um cuidado extremo na finalização – este ponto sempre me chamou  a atenção quando visito outras mostras, principalmente em São Paulo. Óbvio que devemos cuidar de todos os detalhes, mas costumo dizer que não adianta a noiva ter um vestido impecável se a maquiagem e o cabelo não forem adequados, e a mesma premissa se aplica aos projetos de interior. Nunca conversei com a Raquel sobre o que mais chamou a atenção dela, mas arriscaria dizer que foi isso – o cuidado com os detalhes, e talvez uma empatia mútua. Senti que quando ela entrou no espaço ficou muito entusiasmada, começou a fotografar e a observar minuciosamente cada ângulo do ambiente.

Estar Um Sonho Tropical, ambiente da Mostra Casa Nova 2013, no Mesc - Foto Oficina de Luz, Divulgação

Como você define o seu estilo de trabalho? O que o motiva na criação dos ambientes?

Salum – Não gosto de me definir num único estilo, o que me move é o desafio de criar projetos diferentes, que me façam sair da minha zona de conforto. Talvez o que mais me motive seja isso, mas de qualquer forma tenho uma predileção por ambientes com vida, cercados de referências, cores, cheiros, música. Quando penso numa mostra, por exemplo, junto com o projeto já considero a música que ele vai ter. Gosto de ambientes com história que emocionam e que, de alguma maneira, toquem.

Como recebeu o convite para participar da Black? Isso ocorreu quando?

Salum – Desde o ano passado já estávamos em um “namoro”,  conversando sobre essa possibilidade, mas como em 2014 a mostra não ocorreu, por causa da Copa e das eleições, o convite oficial veio somente este ano. Isso foi há cerca de dois meses.

Foi proposto algum tema para o projeto da Mostra Black ou é livre?

SalumSerão 14 “caixas” forradas de papelão, espalhadas pelo subsolo da Oca, mas o tema é livre e a Raquel, como curadora, participa diretamente dessa parte trocando ideias sobre o projeto de cada profissional. Tem uma equipe ótima, encabeçada pelo Sérgio Zobaran, que auxilia os profissionais de fora do circuito paulista a garimpar peças bacanas e exclusivas para o evento.

Qual o tamanho do ambiente e o que criará (sala, quarto, cozinha….) ? Qual o conceito do espaço e como o caracteriza? O que o público visitante encontrará?

Salum – A área é de 60 m² e será a sala do colecionador de livros. Ano passado, quando fui à feira de Milão, na volta passei cinco dias em Paris mergulhado no estilo art déco. Visitei tudo o que a cidade oferece sobre este estilo artístico de caráter decorativo (teatros, restaurantes, hotéis, museus) e vou aproveitar o que ele representa para mim e dar vida ao ambiente do Colecionador. Como disse anteriormente, gosto do desafio, do novo, e ter esta oportunidade de aprofundar um tema que me atrai  é sensacional. As pessoas que visitarem o espaço vão encontrar um ambiente cheio de referências a esse estilo da década de 20, muitas peças de antiquário, obras de arte e muito jazz.

Quais são as suas expectativas com  relação à participação na Mostra Black? 

Salum – Prefiro não criar muito expectativa em relação a isso. A intenção é de aumentar a carta de clientes pelo Estado e em nível nacional, e a construção de um espaço nessa mostra é mais um passo em direção a esse desejo. Acho importante esta oportunidade que a Black está dando, de mostrar nacionalmente o trabalho de um arquiteto catarinense. Isso está sendo reforçado com a participação do escritório Marcelo Salum Arquitetos Associados na seção Destaque, da revista Kaza.


Fotos: Carlos Edler

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Fotos Eleone Prestes

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