Museus importantes pelo mundo têm investido alto para renovar espaços destinados à arte antiga

Foto: Aly ssa Schukar, NYTNS
Foto: Aly ssa Schukar, NYTNS

Geraldine Fabrikant, The New York Times

Durante muitos anos, as janelas das galerias de antiguidades do Museu RISD, na Rhode Island School of Design (EUA), ficaram cobertas por transparências coloridas de locais antigos. A ideia era fazer os visitantes entrarem no clima simplesmente bloqueando as distrações externas. Agora elas não estão mais lá. Com a reforma que durou sete anos e foi concluída em 2013, a curadora de arte antiga, Gina Borromeo, optou pela abordagem totalmente oposta. – Tentei trazer para dentro o máximo possível de luz e ar para iluminar as coleções de trabalhos gregos, romanos e egípcios – conta ela. O museu de Rhode Island, cujo número de visitantes depois das mudanças subiu de 73 mil para 100 mil pessoas/ano, não é o único a repensar o esquema de exposição de suas antiguidades.
Nos últimos anos, o Getty Villa de Los Angeles, o Museu de Belas Artes de Boston, o Instituto de Arte de Chicago, o Louvre de Paris, o Museu de Israel, em Jerusalém e o Museu Ashmolean da Universidade de Oxford, na Inglaterra, gastaram bastante para renovar suas galerias de arte antiga. A reestruturação acontece em um momento em que as antiguidades passaram a se tornar o foco de disputas patrimoniais, deixando os possíveis doadores inquietos com a publicidade negativa.
– O medo é uma realidade, sim, mas não afetou a generosidade dos doadores. O que as pessoas não percebem é que o grande público fica fascinado pelo material e não está realmente interessado em disputas legais – afirma Carlos Picón, curador da seção de arte grega e romana do Museu Metropolitano de Arte de Nova York. De fato, a preservação de peças se tornou uma preocupação urgente, dada a destruição recente de artefatos no Iraque promovida por extremistas islâmicos.

 

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Das remodelações recentes, a do Met foi a mais cara e mais longa: foram mais de US$ 220 milhões nas novas galerias greco-romanas, concluídas em 2007. Nos 10 meses depois da reabertura, atraiu mais de um milhão de visitantes e a frequência continua a subir. Para fazer o trabalho, o museu contou com colecionadores como Michael e Mary Jaharis, Bill Blass, Shelby White e Leon Levy.
Com o novo arranjo, a forma de exibição das coleções mudou radicalmente, e mesmo os objetos sendo antigos, os curadores fazem questão de que as redomas em que se encontram sejam de última geração. – A apresentação está passando por grandes alterações. O interesse em manter as pinturas falsas na decoração das paredes está caindo – explica Jennifer Chi, diretora de exposição e curadora-chefe do Instituto de Estudo do Mundo Antigo, parte da Universidade de Nova York, referindo-se à decoração.

A atenção do visitante recai sobre os estojos de vidro mais refinados – de vidro e não mais de acrílico – além da iluminação de última geração. Embora os curadores concordem que a estética e a tecnologia das novas vitrines sejam importantes, não há uma filosofia única.

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Reformas custam alto

Os fundos para as reformas vêm, por exemplo, de doações como as dos Jaharises: US$ 10 milhões ao longo de 10 anos para o Instituto de Arte de Chicago para aumentar o espaço das galerias e criar um departamento de arte grega, romana e bizantina. A inauguração aconteceu em 2012.
– As galerias ficaram quatro vezes maior do que eram antes. Acabei tendo que emprestar algumas peças de outras instituições para preencher os espaços – diz Karen Manchester, diretora e curadora de Arte Antiga. A arrecadação de fundos, porém, pode sofrer reveses: a principal curadora de arte grecoromana do Museu de Belas Artes de Boston, Christine Kondoleon, diz que ainda está tentando reunir doações para completar as galerias ao mesmo tempo em que procura se livrar da má publicidade que envolve as disputas com governos estrangeiros sobre parte das peças.
– Selamos um bom acordo com o governo italiano e devolvemos algumas coisas à Turquia. Espero que, com isso, esse episódio fique para trás – comenta. Entre outros tratos feitos por museus norteamericanos está o de 2006, no qual o Met concordou em retornar à Itália a Cratera de Eufrônio, que retrata uma cena da Ilíada. Em Paris, o Louvre já refez suas galerias gregas e está iniciando uma campanha para levantar US$ 30 milhões para as romanas e etruscas e começar as alterações em 2017.

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