Monumental como um transatlântico, o Museu do Amanhã, de ciência e tecnologia, é o equipamento cultural mais imponente do porto Maravilha, no Rio de Janeiro

Foto: Eleone Prestes
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Leve visualmente, apesar da cobertura metálica chegar a 3,8 mil toneladas e a área erguida em concreto ter 15 mil metros quadrados, o Museu do Amanhã parece planar no atracadouro do Píer Mauá, no Rio de Janeiro, com 48 conjuntos móveis em formato de asas. Marcante, como todas as obras do premiado espanhol Santiago Calatrava, de 64 anos, a grande figura curva com interior de linhas retas e áreas vazadas avança em balanço sobre a Praça Mauá e ressignifica o píer de 75 anos. O cais, que já recebeu grande população de escravos, propõe pensar o futuro por meio da ciência e da tecnologia _ com filosofia, arte e respeito à vida.

Foto: Eleone Prestes

Fotos: Eleone Prestes

Para conceituar o projeto arquitetônico que evoca passado, presente e projeta futuro, Calatrava fez visitas ao Rio de Janeiro, conheceu espécies da Mata Atlântica _ como a bromélia, que o inspirou _ e decidiu incluir as curvas de Oscar Niemeyer na criação, desenhada até o ponto do estudo preliminar. A partir daí, entrou em cena o arquiteto Ruy Rezende, para finalizar o programa para os 34,6 mil metros quadrados de terreno, com ciclovia, jardim, museu e espelho d’água.

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_ O conceito geral do edifício passa pelo uso de fontes naturais de energia. Assim, a cobertura em balanço está desenhada para aproveitar a luz do dia na iluminação do prédio e para a sustentar a instalação de (5,49 mil) painéis fotovoltaicos. Eles se integram às asas da cobertura móvel e se ajustam para chegar ao melhor ângulo para obter o maior aproveitamento dos raios solares. E a água da Baía de Guanabara é usada para refrigerar o interior do museu _ explica Calatrava, com a experiência de quem projetou o complexo arquitetônico e cultural Cidade das Artes e das Ciências, em Valência, e participou da revitalização do porto de Buenos Aires _ a Ponte da Mulher é obra dele.

Para o seu futuro, a instituição, iniciativa da Prefeitura do Rio de janeiro, concebida e realizada em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, conta com o Banco Santander, patrocinador master até 2025. Em constante mutação, com novos dados de instituições científicas e com notícias relacionadas aos temas do museu, o Amanhã terá apresentado até lá conteúdos nas arquiteturas dentro da sua arquitetura, formados por dados, perguntas e projeções para 50 anos a frente.

A editora Eleone Prestes viajou para o Rio de Janeiro a convite do Santander

Corredor aberto

Foto: Eleone Prestes

Com a queda da barreira de um viaduto demolido, a Praça Mauá foi reaberta em março, com o vão livre ampliado até o mar, junto ao paisagismo assinado pelo escritório Burle Marx. No final da visita ao Museu do Amanhã, representa o tempo atual a vista para o lado oposto ao da praça, a Baía de Guanabara, com a escultura de Frank Stella _ por enquanto, a única obra de arte do museu de ciência e tecnologia _ pairando sobre um espelho d’água (ao lado), como confirma o curador, o físico e doutor em Cosmologia Luiz Alberto Oliveira (professor de filosofia de Oscar Niemeyer por cerca de 10 anos).

Geometria com experiência 

Foto: Eleone Prestes

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O domo negro com 360° convida o visitante a uma viagem sensorial pelo universo. No final, a arquitetura de madeira vazada feita por Hélio Olga remete a uma oca e tem no centro o churinga, um amuleto australiano, a única peça física da narrativa, com uma obra da designer Mana Bernardes na base. O auditório convencional tem 378 lugares.

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