Henrique Steyer fala sobre suas referências e inspirações

Cena do filme infomaníaca: no qual o diretor Lars Von Trier
exige que os espectadores se
dispam de preconceitos para
compreenderem a mensagem
Cena do filme infomaníaca: no qual o diretor Lars Von Trier exige que os espectadores se dispam de preconceitos para compreenderem a mensagem

Dizem que um dos maiores medos do homem moderno é falar em público. Li esta frase em um dos três livros sobre oratória que peguei emprestado após ser convidado para palestrar em dois importantes eventos de design do país. A frase só serviu para me deixar mais assustado com a ideia de mostrar meu trabalho para plateias tão numerosas. Mas a vontade de vencer o temor era maior do que o receio de me expor e, assim, resolvi enfrentar a conjuntura para evitar a frustração da desistência sem motivo real.

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Confesso que o tempo que antecedeu foi mais intimidante do que o fato em si. Na hora H, tudo dá certo. O mais interessante é perceber qual o real interesse das pessoas sobre nosso processo criativo. Em Goiânia, tive a honra de palestrar ao lado dos nomes mais respeitados da atualidade no ramo da arquitetura e do design brasileiros. Após a apresentação, abriu-se espaço para perguntas. O que mais instigava as pessoas era saber de onde vem nossa inspiração para criar.

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DIVERSAS FONTES PODEM NOS INSPIRAR

Inspiração é algo que não se exige do próprio cérebro. Vem automática, do nada, na hora que quer. Parece que a mente precisa estar quieta e relaxada para que a mágica aconteça. Gosto de pensar que sempre podemos beber de fontes diversas para criar algo novo. Temos uma vasta gama de criativos em áreas distintas, na arte, no cinema, na fotografia ou na moda, que podem nos proporcionar o estopim para uma nova criação.

Me fascina, por exemplo, a audácia do diretor de cinema Lars Von Trier ao criar filmes tão controversos quanto o polêmico Ninfomaníaca. É preciso coragem para propor algo que foge dos padrões de uma sociedade um tanto careta. Me agrada o trabalho de artistas como o norte-americano Paul McCarthy, que questiona os abusos de  poder de uma classe abonada, enquanto suas obras ironicamente circulam nas coleções particulares das maiores fortunas do planeta.

Obra do artista americano Paul McCarthy que há décadas faz uso da arte para questionar a sociedade de consumo

Na moda também tivemos nomes que mudaram conceitos, tais como Alexander McQueen, que não era apenas um estilista, era um artista, capaz de reinventar o sapato, em peça eternizada pela pop star Lady Gaga. Aos 40 anos, McQueen se suicidou. Seria uma forma de fugir deste mundo, que, para ele, deveria parecer repleto de pessoas ocupadas com suas rotinas insossas enquanto ele criava um legado impressionante? Talvez este seja o preço de nossas escolhas.

Obra do artista americano Paul McCarthy que há décadas faz uso da arte para questionar a sociedade de consumo

Essa vontade de quebrar tabus também era algo constante no trabalho do fotógrafo alemão Helmut Newton. Muitos dizem  que ele foi o precursor do erotismo que conhecemos hoje. Suas fotos tinham sempre um forte apelo sexual que nunca chegava à vulgaridade. É dele um dos livros que é considerado um dos maiores do mercado com base metálica desenhada por Philippe Starck. Precisa mais?

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Fotos de Helmut Newton em grandes formatos. Este é um dos maiores livros do mundo, editado pela grife Taschen com base assinada pelo designer francês Philippe Starck

Se a inspiração está em todo o lugar, procuro focar minha atenção nos mais ousados, que contribuem para que a roda da evolução gire mais rápido. Uma vez aprendida a regra, é hora de quebrá-la, para que novas ideias sejam lançadas. É a partir de mentes livres e sem amarras que construiremos um mundo mais lúdico, leve e divertido. Se a novidade está aí, a olhos nus, quem somos nós para censurá-la?

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