Fah Maioli: a vila mais bela da Cote d’Azur

Dario Ferrari, Divulgação
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No ano do Pantone Rose Quartz e em um momento tão confuso, nada melhor do que cores que alegram, e visões, como dizem aqui na Itália, de grande bellezza. Assim, trago por aqui quem lançou a moda do cor-de-rosa para o mundo: estamos falando de Béatrice, filha do barão Édouard Alphonse James de Rothschild, banqueiro e um dos homens mais ricos do século passado. Curiosamente ela tinha como parente próximo Charles Ephrussi, o conhecido patrono dos impressionistas.

Mas a cor não é exatamente o ponto mais importante deste local, na verdade é a própria villa, que confesso já ter visitado mais de quatro vezes dada a sua imensa beleza. Os pontos de força são os jardins e a coleção de rosas, localizados num dos pontos mais altos de Saint-Jean-Cap-Ferrat, na região de Cote d’Azur ou Riviera Francesa. A Villa Ephrussi de Rothschild, como é chamada, foi uma das mais importantes vilas europeias e hoje pertence à Académie des Beaux Arts francesa. É mundialmente conhecida pelo seu elegante e bem-conservado acervo de mobiliário de época e por ter sido neste imóvel que nasceu o culto ao cor-de-rosa, que retornou às passarelas e ao design com força total!

Fah Maioli, Divulgação

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Um pouco de história
Na construção da Villa, entre 1905 e 1912, nada menos que dez arquitetos foram convidados para contribuírem. Tinham como briefing elementos da arquitetura da Florença, Veneza e Ravenna como pontos de referência. Béatrice combinou o talento de todo o seu amplo network de artistas e amigos colecionadores que lhe forneciam conselhos excelentes e lhe deram todas as dicas para a sua busca emocionante e exigente de peças de valor artístico em todo o mundo. No curso de suas viagens de pesquisa, a madame Rothschild aliou sua paixão pela arte e pelos jardins exóticos, que se tornaram o ponto de referência em sua Villa.

Os jardins da Villa Ephrussi de Rothschild

A Villa está rodeada por nove magníficos jardins com pátios, fontes, lagos, canteiros, caminhos meditativos e árvores raras. Estão abertos para visitação os Florentino, Espanhol, Francês, Exótico, Pedra, Japonês, Provençal, Rose e o de Sèvres. De todos, o êxtase chega com o Rose Garden, com muitas variedades da flor favorita de sua dona e que preenchem o extremo do jardim com fragrâncias deliciosas. Uma dessas rosas se chama Fragonard e confesso que é um dos perfumes mais deliciosos que já senti de uma rosa em minha vida!

O rosa, de Beatrice a Karim Rashid

Poucos sabem, mas a cor rosa começou a ser utilizada apenas no início do século passado. Porém, até a Segunda Guerra Mundial esta cor era associada ao sexo masculino, e não ao feminino como vemos hoje. Seu uso em interiores era algo impensável! Tanto é que há um registro, de 1918, no famoso The Ladies Home Journal (a revista Vogue de moda da época) que orientava o seguinte: “A regra geralmente aceita é cor-de-rosa para o homem e azul para a mulher. O motivo é que o rosa é mais decidido e forte, enquanto o azul é mais refinado e elegante”.

Não existem dados para confirmarmos uma data certa da introdução no guarda-roupa feminino, mas temos a certeza de que foi Madame Béatrice Rothschild que lançou a moda no vestuário e deu o exemplo para que ele fosse utilizado também nas fachadas das casas e nos detalhes internos de decoração, como vemos na sua villa. Aliás, Béatrice se vestia totalmente em cor-de-rosa, desde a sombrinha de seda até a ponta de suas botas, incluindo a bolsa de pele de crocodilo.

Fah Maioli, Divulgação

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Rosa, mais rosa, em todos os lugares, incluindo a casa e seus interiores: cada quarto tinha que ter algum detalhe nesta cor e suas tonalidades. A escritora Elisabeth de Gramont a descreveu da seguinte forma: “Ela era linda e desde a idade de 20 anos, sempre usava vestidos cor-de-rosa e parecia estar eternamente pronta para sair para um baile de luxo”. E ela não parou por aí: gostava de convidar seus amigos para recepções nos moldes das que eram oferecidas por Maria Antonieta e transformava sua casa, naquelas ocasiões, em um zoológico exótico, um refúgio para periquitos, coelhos, cachorros, macacos e flamingos cor-de-rosa (claro!).

Ambientes hoje
Destaco dois ambientes nos quais o mobiliário  de época realmente surpreende:

1. O Grand Salon: com seu suntuoso mobiliário, originalmente de várias coleções pelo mundo e totalmente restaurado, é o mais impressionante. Os painéis de madeira são do século 18 e vieram do Hotel de Crillon, em Paris. Este é o ambiente que contém a maior quantidade de peças da aristocracia real: um dos carpetes pertencia a Louis XIV e estava originalmente na Grand Gallery do Louvre, enquanto o outro, com o monograma de Louis XV, veio da capela real do rei em Versailles. Arrematada com uma tela pintada pelo pintor italiano Tiepolo, o ambiente também tem uma mesa que pertenceu a Maria Antonieta, decorada com pérolas.

2. Os apartamentos de Béatrice: Eram privados e ricamente decorados com os mais elegantes mobiliários de época e hoje vemos como ela os deixou. Vemos um boudoir com motivos de Pompeia. A escrivaninha foi elaborada por Jean-Henri Riesener, marceneiro oficial de Maria Antonieta e um dos principais fornecedores de mobiliário real no reinado de Luís XVI, além de uma série de elementos originalmente italianos, precisamente de Veneza, alinhados com uma incrível coleção de vestidos e pequenos sapatos chineses do século 19. No entanto, a peça mais rara é uma pequena mesa octogonal, criada por Adam Wiesweiler, realizada com penas de aves e asas de insetos colocadas em um fundo de cera.

  • Fah Maioli, Divulgação
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Para visitar, recomendo o período da Primavera, quando as rosas do jardim inundam o local com perfumes e cores nunca vistos antes. E prepare-se para um “coup de cœur” (amor à primeira vista) como dizem os franceses, ao chegar ao local: a meu ver, depois de Eze, è uma das vistas mais lindas da Cote.

Divulgação

Pátio é transformado por um jardim vertical

TaniaBertolucci11

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