Estocolmo e um modelo de urbanização sustentável

Crédito: Linus Sundahl-Djerf, The New York Times
Crédito: Linus Sundahl-Djerf, The New York Times

O distrito de Hammarby Sjostad, à beira da água no extremo sul de Estocolmo, na Suécia, tem sido anunciado como um modelo de desenvolvimento urbano sustentável, um lugar onde  é possível vislumbrar o futuro da vida nas cidades. E o crescimento da região, junto com o constante aumento de popularidade da ilha de Sodermalm, ao norte, está empurrando as fronteiras habitáveis de Estocolmo para o sul.

INGRID K.WILLIAMS
Estocolmo/The New York Times

Localizado ao longo da hidrovia de Hammarby, este bairro recém-construído e ecologicamente consciente já foi uma região de aterros e indústrias, cheio de fábricas e prédios de escritório. Então, um plano foi concebido para construir alojamentos para atletas como parte de uma mal sucedida candidatura à sede das Olimpíadas nos anos 1990, e a região começou a se transformar.

– Iniciamos com grandes ambições e então mantivemos a ideia – explica Martin Skillback, gerente de projetos do escritório municipal de administração do desenvolvimento, sobre o distrito residencial planejado.

Hoje, foram construídos cerca de  10 mil apartamentos, e mais de 30 mil suecos irão se mudar para Hammarby Sjostad na data estimada para o final do projeto, em cerca de cinco anos. Graças às ciclovias e barcas convenientes, aos ônibus e às linhas de bondes, 80% dos moradores saem de casa sem carro, um número pouco maior do que a média em uma cidade cheia de construções eficientes em energia.

Mas estatísticas sozinhas não fazem um bairro. Sete anos atrás, Allan Larsson, jornalista aposentado, ex-ministro das Finanças e ex-presidente da Universidade Lund, no sul da Suécia, mudou-se com sua mulher do centro de Estocolmo para Hammarby Sjostad, que está apenas a alguns minutos de carro, bicicleta ou ônibus rápido, atraído pelas opções de transporte público, natureza próxima e objetivos ambientais conscientes. Pouco depois, lançou uma iniciativa de cidadania, a HS2020, para melhorar a região para os moradores, que de certa maneira estão vivendo uma experiência urbana.

– Temos usado a expressão “renovando uma nova cidade” para sublinhar o fato de que você não pode construir uma nova área residencial ou cidade e depois abandoná-la. Tem que ser atualizada, ter inovações. Precisa testar coisas novas – explica Larsson.

Entre os vários projetos da HS2020 estão a criação de uma fundação para ampliar a utilização de carros elétricos na região e um plano para o uso da pista de esqui de Hammarbybacken o ano todo.  O HS2020 também vem apoiando eventos culturais, principalmente a SjostadsOperan, em que apresentações de ópera do Metropolitan Opera House de Nova York são transmitidas em streaming dentro do prédio de uma velha fábrica que abriga o Delight Studios, um dos principais estúdios de fotografia e produção de cinema da cidade.

Nos últimos três anos, o Delight Studios tem sido a principal – mas temporária – casa de eventos culturais da região, quando não está sendo usado para produzir campanhas para empresas como a H&M, ou imagens para filmes como Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher.

Antes de abrir o Delight Studios, em 2004, o fotógrafo Guido Hildebrand conta que havia trabalhado várias vezes em locações na região, que se destacava por ter uma atmosfera austera e desolada. Preocupado com o fato de que o bairro possa estar perdendo sua alma à medida que apartamentos tomam conta de uma estrutura após a outra, ele está agora trabalhando com o Helios13, um grupo sem fins lucrativos que busca transformar o prédio do estúdio inteiro em um centro cultural permanente.

– O que as pessoas estão fazendo em Hammarby? O que há para fazer lá? –pergunta ele.
Hoje, pode-se andar pelas passarelas na beira do mar, explorar um punhado de lojas com antiguidades e louças de segunda mão e experimentar uma fika (lanche sueco) em cafés como o Magnus Johansson Bageri & Konditori, onde a prinsesstarta, um bolo recheado de creme envolto em marzipã verde, vale a visita à região.
Mas a grande atração é a Nya Carnegiebryggeriet, cervejaria instalada em uma antiga fábrica de lâmpadas.
O empreendimento abriu em 2014 como uma colaboração entre a Calsberg e a Brooklyn Brewery.

– É uma parte muito nova da cidade, e, nesse sentido, é um cheque em branco – diz Steve Dippel, embaixador da cervejaria.

A cervejaria colocou um grande terraço ao ar livre com vista para a água e um restaurante com cardápio ambicioso – pense em um prato de cervo vermelho seguido por uma seleção de queijos Neal Yard – para combinar com as cervejas artesanais feitas na casa. A cervejaria procura criar raízes no bairro emergente.

– Nossa ambição é tentar moldar a comunidade da mesma maneira que a Brooklyn Brewery ajudou a dar cara à região de Williamsburg. É uma parte da cidade que ainda está desenvolvendo sua identidade, então tem muito potencial – explica Dippel.

Crédito: Carlos Edler, Divulgação

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