Entrevista com o escritório Terra e Tuma, que assina a casa paulista premiada pelo site ArchDaily

Pedro Kok, Divulgação
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Pela primeira vez, um projeto de arquitetura brasileira venceu a categoria Casas no ranking do conceituado site internacional ArchDaily. Já seria uma grande feito – e uma ótima história. Mas ao entrar nos bastidores da criação do imóvel, no bairro Vila Matilde, zona leste de São Paulo, a conexão entre estética, missão da profissão e até mesmo o lúdico da conquista que este resultado trouxe para sua proprietária tornam a proposta ainda mais interessante.

Dona Dalva teve a estrutura de sua antiga casa abalada. Na poupança de uma vida trabalhando como diarista, tinha R$ 150 mil. Muito dinheiro do ponto de vista do suor envolvido para ganhar – e, principalmente, fazer sobrar -, mas enxuto para uma operação tão complexa, que envolvia, além de uma nova construção, um detalhado projeto para derrubada da edificação comprometida.

Projetada pelo escritório Terra Tuma, com os sócios Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Sakano, a casa tem 95 metros quadros e é predominantemente em blocos de concreto (treze, mais precisamente). A grande integração com o exterior é feita pelos grandes vãos de vidro com esquadrias de alumínio. E faz parte de um exercício criativo do escritório em outros trabalhos, como a Casa Maracanã (vencedora de três prêmios) e o Casa Studio (também premiada pela Asbea).

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Danilo Tuma atendeu o Casa&Cia por telefone e nos contou um pouco sobre o processo do trabalho.

A cliente
“O filho da dona Dalva veio até o escritório por meio de conhecidos em comum. No primeiro momento, não se tinha ideia do tamanho do comprometimento da casa. Depois de visitas técnicas que foi concluído que não poderia ser uma reforma, e sim a casa toda demolida e depois uma nova construída. Só a demolição já acarretaria em um custo. Foi quando entrou uma série de questões e princípios na forma de atuar. Não tínhamos jogo para erros, pois não teria quem pagasse por eles”.

O quebra-cabeça
” Mais do que estética, tínhamos que resolver um problema real. A arquitetura tinha que dar uma resposta para problemas como custos e não precisar se mudar de bairro, então não cabia muito a questão se o estilo era um ou outro. Foi o que era possível. Claro que este é um estilo que já estamos exercitando há um tempo no escritório, então tinha um certo domínio do que estávamos fazendo. Mas a questão ali era salubridade, qualidade de vida e segurança”.

“Tivemos muita sorte porque a dona Dalva gosta de verde. Então pudemos trabalhar com toda aquela lateral de vidro, um dos diferenciais do projeto. Claro que podíamos canalizar o custo com vidro para fazer um forro ou passar argamassa e pintar as paredes. Mas são escolhas. E a proprietária tem a opção de fazer essas alterações no futuro, caso queira”.

“Durante o processo, o filho resolveu que iria morar ali também. Então, além do núcleo dela, que fica todo no térreo, mais um quarto foi feito no andar superior, que tem ainda um terraço”.

O poder de transformação
“Claro que todo mundo pensa no belo. Mas temos certeza que o que realmente importa está dentro da “caixa” de concreto: o sofá para ver TV, a mesa para as refeições com a família e as plantas.

COMO É O RANKING

Durante três meses, a Casa da Vila Matilde, como é chamada no escritório Terra e Tuma, foi um dos projetos mais acessados em todo o mundo no site ArchDaily. Graças a isso, foi parar em um link de votação dos leitores, ganhando na categoria Casas.

No site do Terra e Tuma, você ainda encontra este texto, escrito por um dos sócios, Pedro Tuma.

Fotos Adriana Franciosi

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