A arquitetura de Isay Weinfeld pousada em uma esquina de Porto Alegre, o Instituto Ling, recebeu o seu criador

Foto: Omar Freitas
Foto: Omar Freitas

Inusitada talvez seja uma classificação adequada à palestra de Isay Weinfeld, a convite da AsBEA-RS, a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, que propôs discutir urbanismo e ocupação da cidade, quarta-feira passada (4/11) , dentro da obra de Isay em Porto Alegre, o Instituto Ling. O cineasta e arquiteto, para ficarmos apenas em duas aptidões do artista, quase não falou, mas disse muito. Depois de se declarar tímido, preferiu mostrar o que o fez escolher a arquitetura. E adiantou ao público a resposta à possível pergunta sobre a origem das suas obras:

– Não tenho a mínima ideia do conceito de cada projeto e qual foi a inspiração. Acho uma bobagem explicar o trabalho.

Foto: Omar Freitas

“Para mim, arquitetura é conforto. Como será a arquitetura do futuro? Não faço a mínima ideia.” Foto: Omar Freitas

Isay preferiu exibir suas referências de pouco mais de quatro décadas de trabalho em uma sequência de cenas de filmes, trechos de músicas e obras de arte – entre as quais, de Mira Schendel e Sergio Camargo – e até a arquitetura de Luis Barragán. Isso não significa que veja arquitetura como escultura. Ao mostrar uma cena de Fanny e Alexander, compartilhou uma conexão entre o seu trabalho e a criação de Ingmar Bergman:

– A simetria, muito forte no meu trabalho também.

Foto: Omar Freitas

“Gosto de uma arquitetura que não berra. Meus arquitetos favoritos são os japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, do SANAA, e os portugueses em geral.” Foto: Omar Freitas

Como cineasta, deu um recado sobre a importância da edição para a leitura do material apresentado:

– O importante não é apenas o que escolhemos, mas a sua ordem. A arquitetura faz isso: dirige o olhar.

Com o seu jeito calmo, mas inquieto, comentou a arquitetura dos japoneses do escritório SANAA: “eles, como eu, procuram falar baixo”. E ressaltou a força da luz nos seus projetos e o respeito ao entorno.

Foto: Omar Freitas

“Não dou a mínima importância aos materiais: são consequência de várias coisas – às vezes, decorrência do gosto do cliente.” Foto: Omar Freitas

Autor de hotéis, discotecas, edifícios e restaurantes das Américas à Europa, Isay almoçou no bristrô do Instituto. Depois, passou a tarde no seminário com o tema “Imaginário da Metrópole – Arquitetura da Vida da Cidade” em sua própria obra, em meio ao público que lotou uma grande sala.

Agora, para matar a curiosidade do Isay cineasta, há “13 filminhos de um minuto” versando sobre arquitetura, para ver: basta baixar o aplicativo IW Filmes para Android e iPhone.

– É como eu vejo o meu trabalho – conclui.

Foto: Omar Freitas

“Não tenho paciência de fazer a mesma coisa toda minha vida. Nunca quis me especializar em nada na arquitetura.” Foto: Omar Freitas

Foto: Eduardo Aigner/ Divulgação

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